Clássicos no fim do mundo: teoria crítica e recepção clássica no Antropoceno Negro
Se os clássicos versam sobre o universal e humano, e se ser branco é ser universal, humano, então os clássicos definem a fronteira da branquitude, são sua própria identidade.
São Paulo | Publicado em 8 fev. 2026.
Atualizado em 3 mar. 2026.
Se sondarmos as profundezas, então o que encontraremos será fundamentalmente negro […]. Senti que por baixo do ser social se encontraria um ser profundo, sobre o qual foram depositadas toda espécie de camadas e aluviões ancestrais.
— Aimé Césaire —
Por meio de uma intersecção entre teoria crítica e recepção clássica, analiso o elemento ansiogênico das noções de identidades na antiguidade e seu legado em camadas e sedimentações ancestrais que abalam a superfície aparentemente tranquila dos clássicos como espectros fóbicos sempre presentes, funcionando como uma ferramenta de busca por artefatos (extra)literários que expõem a íntima relação entre fim do mundo e suas origens relacionais que constituem um Antropoceno Negro calcado nas próprias noções de humanidade, universalidade, mundo e clássicos brancos.
Resultado prévio da minha pesquisa de mestrado, o trabalho está disponível aqui em sua versão original/não-revisada para receber comentários, críticas e sugestões — todos bem-vindos.
Eis, de meus companheiros rodeado
Vejo um estranho vir de pele preta,
Que tomaram por força, enquanto apanha
De mel os doces favos na montanha.
Torvado vem na vista, como aquele
Que não se vira nunca em tal extremo;
Nem ele entende a nós, nem nós a ele,
Selvagem mais que o bruto Polifemo. 
— Camões, Os lusíadas, V.27-8 —

Aaron Douglas (1899–1979), Building More Stately Mansions (1944, óleo sobre tela, 50.8 x 40.6 cm, domínio público).

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