Notas | Notes
Nesta página estão reunidos todos meus manifestos e notas públicas que sintetizam minhas lutas e protestos formais e documentados contra formas difusas e diversas de violência e exclusão sofridos durante minha passagem e permanência na academia e refletem, mais especificamente, uma parte negativa da minha experiência como pesquisador da Universidade de São Paulo. São também um registro importante de ações continuamente silenciadas, apagadas e marginalizadas que costumam ficar relegadas a uma zona obscura da formação de um eu acadêmico pretensamente neutro, e expõem um processo de contínuas lutas por direitos.
O conteúdo desta página inclui notas de repúdio, manifestos públicos e outros registros importantes dessas lutas, e são minha forma de expressar aquilo que é continuamente censurado (muitas vezes de forma violenta) e que repousa muito além do currículo Lattes, das publicações acadêmicas ou do que meu eu acadêmico retorna e devolve para a sociedade.
Minha formação humanística me obriga a notar o fato de que muitos desses documentos, impressos por mim e divulgados pela Universidade, pela cidade de São Paulo e em outros locais físicos (além das redes sociais), geralmente rasurados ou removidos por mãos anônimas, são para mim a lição última e um lembrete contínuo de que a censura é a retribuição daqueles que ousam falar dos problemas, desafios, crises e injustiças do seu tempo com autêntica seriedade.
This page gathers all my statements and manifestos, which encapsulate my struggles and formal, documented protests against the diverse and diffuse forms of violence and exclusion I endured during my time in academia—specifically, my experience as a researcher at the University of São Paulo. They also serve as a vital record of actions that are consistently silenced, erased, and marginalized—often relegated to the shadows of a supposedly neutral academic identity—and they reveal an ongoing struggle for rights.
The content here includes statements of condemnation, public manifestos, and other key records of these battles; they are my way of voicing what is constantly censored (often violently) and what lies far beyond the Lattes curriculum, academic publications, or the contributions my academic self makes to society.
My background in the humanities compels me to recognize that many of these documents—printed by me and displayed across the University, the city of São Paulo, and other physical locations (as well as on social media), only to be frequently defaced or torn down by anonymous hands—represent, for me, the ultimate lesson and a constant reminder: censorship is the price paid by those who dare to speak with genuine seriousness about the problems, challenges, crises, and injustices of their time.
Allan Moraes
São Paulo | 31 ago. 2026
MANIFESTO E NOTA PÚBLICA DE REPÚDIO:
EXCLUSÃO ESTRUTURAL, CRIMINALIZAÇÃO E HOSTILIDADE CONTRA DISCENTES NA USP E FEUSP
EXCLUSÃO ESTRUTURAL, CRIMINALIZAÇÃO E HOSTILIDADE CONTRA DISCENTES NA USP E FEUSP
Vem-se a público manifestar veemente REPÚDIO aos critérios excludentes mantidos pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP) no edital da Escola de Aplicação (EA), bem como à cultura de intimidação e desqualificação política direcionada a estudantes de graduação e pós-graduação que denunciam tais arbitrariedades.
1. O MODELO EXCLUDENTE E O CÍRCULO VICIOSO DA INREPRESENTATIVIDADE
O edital da EA-FEUSP restringe categorias internas a docentes e servidores, empurrando os estudantes da USP à dita “categoria externa”. Essa segregação alimenta um perverso círculo vicioso institucional: ao impedir o ingresso de dependentes de estudantes, inviabiliza-se a formação de uma representação de pais discentes na comunidade escolar. Sem voz ou assento nos órgãos colegiados da escola, a categoria fica sistematicamente bloqueada de propor alterações regimentais internas, perpetuando a própria exclusão de forma autofágica.
2. A BUROCRACIA INERTE E A DISTORÇÃO CONCEITUAL
Anos de atuação na APEF da Creche Central e comissões acadêmicas que tentaram levar esta pauta adiante resultaram em contínuas manobras de dissuasão e promessas regimentais descumpridas. Para embasar tal inércia, instâncias administrativas chegam ao absurdo de evocar um pretenso princípio de ‘isonomia’ — uma grotesca perversão conceitual da democracia radical ateniense usada para segregar os filhos de pesquisadores que sustentam a própria produção científica da universidade, além de embasamentos jurídicos por parte do Ministério Público de São Paulo, para decisão em contrário em processo (mandado de segurança) movido contra a USP, que se escudam em superficiais “lições” aristotélicas de “igualdade entre iguais” para justificar privilégios corporativistas. Aristóteles, cabe notar, é um ideólogo da escravidão antiga e da misoginia (para Aristóteles, mulheres, escravizados e crianças são uma categoria inferior e distinta do homem senhor de posses) que sempre teve, desde a Antiguidade, quase que um poder hipnotizante de fazer com que seus seguidores mais fanáticos e acríticos tomassem suas palavras (mesmo as mais absurdas) como uma verdade inspirada pelos deuses. Cabe questionar se suas “lições” sobre “igualdade entre iguais” são tomadas por seus seguidores de hoje em paridade com estas outras palavras suas: “ἔτι δὲ τὸ ἄρσεν πρὸς τὸ θῆλυ φύσει τὸ μὲν κρεῖττον τὸ δὲ χεῖρον, καὶ τὸ μὲν ἄρχον τὸ δ᾽ ἀρχόμενον. τὸν αὐτὸν δὲ τρόπον ἀναγκαῖον εἶναι καὶ ἐπὶ πάντων ἀνθρώπων” (“Novamente, no que diz respeito aos sexos, o masculino é por natureza superior, e a fêmea, inferior; o masculino, governante, e a fêmea, subordinada. Este princípio é, por necessidade, aplicável também à humanidade como um todo” — Aristóteles, Política, I.1254b).
3. DA DIFAMAÇÃO INTERPESSOAL À INVERSÃO DE PAPÉIS NAS INSTÂNCIAS OFICIAIS
A recusa discente em aceitar a inércia gerou severas retaliações. No plano interpessoal, registraram-se condutas difamatórias em eventos comunitários da Creche Central — com a disseminação intencional de falsidades para indispor pais discentes perante o corpo docente —, denúncias estas que esbarram na desidratação correcional dos canais de acolhimento da USP. No plano institucional, a gravidade atinge seu ápice quando a própria gestão da Escola, em sessão pública e transmitida de órgão colegiado, recorre à espúria narrativa de que a instituição estaria “sofrendo ataques” ao mencionar ações legítimas promovidas por pais que buscam direitos para seus filhos. Classificar, em canal público, a via pacífica do socorro aos direitos parentais e sociais como um “ataque” e, em reunião privada com pais discentes, sugerir que seria difícil mediar retaliações e manifestações por parte da comunidade interna e já pertencente ao status quo da Escola, escancara a perversão de uma burocracia que vitimiza a corporação encastelada para criminalizar a comunidade discente, excluída e silenciada.
4. COMPROMISSO INAFASTÁVEL POR JUSTIÇA INSTITUCIONAL
Este cenário, que alia exclusão regimental, silenciamento representativo e difamação pública, revela a urgência de desmontar o elitismo corporativo na USP. Exige-se a apuração das infrações éticas e a imediata inclusão dos dependentes de discentes em categoria equânime no edital da Escola de Aplicação da FEUSP.
Pelo fim do corporativismo e pelo direito inalienável à representação e à permanência parental na USP!
Assinam:
Allan Moraes | Bacharel em Letras/Grego Clássico e mestre em Letras Clássicas (FFLCH/USP), doutorando (FEUSP).
Amanda Carvalho | Bacharel em Letras/Grego Clássico e mestre em Letras Clássicas (FFLCH/USP), doutoranda (FEUSP).
Para mais informações: freakzclassics.com/notes
São Paulo, 28 de agosto de 2026